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A Sul - Tango e Fado

Pela primeira vez em Portugal está a produzir-se um Encontro Internacional de Tango e Fado; Salsa e Ritmos Africanos. No 1º dia dançamos Tango, ao som de Piazolla, pelo quinteto Lusotango...também ao som do Fado pelas mãos do Mestre António Chainho. Juan e Graciana embalam os dois momentos. Vai dar que falar!

Acerca deste dia

Porque a originalidade é a tónica deste evento, no primeiro dia o Tango funde-se com o Fado, revivendo uma origem comum, e trazendo ao público português duas emoções numa só, intensas, profundas, de um só fôlego. Das mãos do Mestre do Fado António Chainho, acompanhado à viola por Fernando Alvim e com Isabel Noronha na voz, sairão os temas que cruzarão o mar até se ligarem à música de Piazzolla, interpretada pelo quinteto Lusotango, através da dança sensual e quente de quem vive do amor pelo Tango, os bailarinos Juan Capriotti e Graciana Romeo . Mais tarde segue a dança com Juan Capriotti no lugar de DJ, e uma animação muito especial de mistura de Tango e Kizomba. Sabemos que neste dia vamos poder também devolver ao Fado um pouco da sua dança perdida, que embala o corpo lusitano na emoção da nossa cultura.

António Chaínho

António Chaínho
O Fado nas mãos do Mestre

Juan & Graciana

Juan & Graciana
A Alma que tem o Tango...tem o Fado

terça-feira, 13 de março de 2007

ESPAÇO ENTREVISTA

O FADO DO TANGO
Entrevista a Juan Capriotti e Graciana Romeo, por João Fanha. Fotos por Raquel Santos.


J.F. – Em primeiro lugar porque é que vieram dar aulas de Tango para Portugal?


Juan – Porquê Portugal? Foi há três anos que saímos em viagem pela primeira vez da Argentina para a Europa. Vínhamos trabalhar em festivais de Tango em Espanha. E logo antes de sairmos de Rosário, por um acaso, encontrámos uma pessoa que era professor na Escola Argentina de Tango em Portugal, e que nos ofereceu uma substituição. Disse-me – queres vir a Lisboa? – e eu disse – Lisboa, onde fica Lisboa? (risos). Bom, e graças a isso aterrámos em Lisboa. No primeiro dia em que fizemos um “show” encontrámos logo uma outra rapariga argentina. Ela cantou um Fado e pôs-nos logo a dançar. Assim, a chegada a Lisboa foi muito forte.

J.F. – Ficaram logo ligados ao Fado.

Juan – Imediatamente chegámos, entrámos em contacto com esta rapariga e dançámos um Fado sem saber bem o que era o Fado.

J.F. – Já tinham alguma ideia, depois de terem feito essa decisão, do que era Portugal? De como as pessoas reagiam à dança, à dança a par e ao Tango?

Juan – Viemos sem saber nada, viemos a Lisboa por casualidade.


J.F. – E acham que os vossos alunos cá, e os portugueses, têm alguma especificidade na dança? Porque é fácil saber, por exemplo, que um Cabo-Verdiano tem uma maneira de dançar especial.

Juan – Claro. Sim, sim.

J.F. - Acham que os portugueses têm alguma diferença, ou que estão metidos na confusão de uma Europa com pouca alma?

Graciana –Eu acho que os portugueses, justamente por esta coisa que têm própria do Fado, têm uma sensibilidade especial com o Tango. Porque o Tango e o Fado nascem da mesma maneira, da mesma génese. Então ao ter isto em comum eu creio que os argentinos e os portugueses já temos algo que nos liga. Por outro lado os portugueses são um povo muito fechado, muito para dentro. Isso faz com que te custe relacionares-te com uma pessoa portuguesa, mas também faz com que a pessoa portuguesa seja uma pessoa muito mais sentida, com sentimentos mais profundos, mais enraizados. E o Tango tem que ver com tudo isso. Os portugueses só necessitam de uma espécie de empurrão. Precisam que os vamos buscar a casa, para bailar (risos).

J.F. – Como imaginam que se dançaria o Fado antes? Porque o Fado dançava-se normalmente. Era uma dança de bordel, uma dança canalha. Mas consta que se deixou de dançar em meados do século XIX.

Juan – Claro. Bom, o Tango nasceu assim também. Exactamente, nos bordéis. Por isso só dançava o homem, porque ia ao bordel para dançar com as prostitutas. Quem aprendia os passos e as coisas para dançar era o homem. Só muito mais tarde é que a mulher entra, quando o Tango vem para a Europa e é aclamado em Paris, e volta à Argentina. Por isso também as condições do Tango e do Fado são quase todas iguais. Inclusivamente Lisboa, Buenos Aires, são cidades portuárias, com gente do povo que criou uma maneira de expressar-se.

J.F. – Como é que vocês imaginam que se dançaria o Fado. O que é que seria o Fado natural? Não adaptado do Tango.

Graciana – A mim na verdade custa-me imaginar o Fado com outra dança que não seja a dança do Tango. Por isto de que estávamos a falar, imagina que o Tango se cria a partir da mistura de imigrantes. Os imigrantes chegam em barcos, chegam ao porto. Encontram-se numa cidade portuária. No Fado acontece exactamente o mesmo. Se há uma dança de Fado, nasce num bordel. É provavelmente uma coisa enroscada e para dentro, de abraços fechados, que também tem a ver com isto, com a génese. A verdade é que eu as imagino parecidas.

Juan – Quando nós dançamos Fado, na realidade é como se nos esquecêssemos. Em nenhum momento estamos a pensar na técnica do Tango.

J.F. – Mas conseguem, depois de dançar, perceber que dançaram de uma maneira diferente?

Juan – Totalmente. Agora, depois de algum tempo, temos uma maneira de dançar Fado. Estivemos à pouco tempo em Munique e fizeram-nos dar aulas de Tango em tempo de Fado. As pessoas pedem-nos que dancemos Fado. Estou a falar da Alemanha. E a partir disso começámos a estudar o que é que fazíamos naturalmente quando dançávamos Fado. E pensámos justamente num movimento mais redondo. No Tango é mais “stacatto”, mais linha. E aqui procuramos sempre uma espécie de ondas, e movimentos mais lentos, demoramo-nos mais nos movimentos, dançamos um bocadinho mais largo.

Graciana – Sim, deixares-te levar mais pela melodia. No Tango uma pessoa vai misturando entre a melodia e o ritmo. E no Fado estamos sempre sobre a melodia. É uma coisa mais melódica, mais ondulante. Na realidade o que primeiro nos chamou à atenção no Fado foi a letra, porque o primeiro Fado que dançámos foi “a capella”. Porque a tal rapariga que o estava a cantar quando chegámos cantava-o “a capella”. E quando decidimos bailá-lo foi no camarim, quando ela o estava a ensaiar, e era Estranha forma de vida, de Amália. Quando ela começou com esta parte - «para, deixa de bater, coração independente» - ficámos assim maravilhados com a letra. As letras têm esta poesia básica mas super profunda, que é igual ao Tango. Esta poesia simples, popular, que é o mesmo que se passa com o Tango. E só depois começámos a prestar mais atenção à música.

J.F. – O que é que acham que poderia ser feito para revitalizar esta dança? Porque acho que toda a boa música tem dança. O que é que vocês como agentes do Tango podem fazer, para além de lembrar apenas que as duas culturas são parecidas?

Juan – O povo português, quando fala de Fado, não tem na cabeça a dança. Fecham a porta à dança. Por isso é que veio gente de fora, e neste caso alguns “maestros” de Tango, e começaram a ver que a formosura da música e a harmonia que o Fado tem está plenamente aberta para a dança. O problema é que nunca nos espectáculos os cantores de Fado, as figuras mais importante do Fado se envolvem com a dança.

Graciana –Trabalhar com músicos de Tango também não simples, porque os músicos querem sempre ser os protagonistas. A dança, por ela própria, já tem uma estética muito forte, e chama muito à atenção.

J.F. – Mas imagina que provavelmente estas novas experiências de Tango, como o Tango Electrónico, tenham mais visibilidade também por causa da visibilidade da dança.

Graciana – Sim, sim. Eu creio que o Tango está super vigente justamente por causa da dança, porque a dança é uma coisa que atrai muitíssimo mais que a música por si só. ou que o cantor por si só. O género Fado tem que aceitar que se pode começar a dançar.

J.F. – E vocês nunca tiveram vontade de dar alguns passos um bocadinho mais para dentro do território do Fado? E provocar as pessoas um bocadinho mais para além da mera curiosidade?

Graciana – Sim, nós uma vez tivemos um encontro com o Camané. Demos-lhe um “CD” para que ele visse como dançávamos. Vamos ver se nalgum momento podemos organizar alguma coisa com ele, porque ele é uma figura relevante no Fado.

Juan – É uma pessoa que nós respeitamos muitíssimo também.

J.F. – Talvez pelo facto de o Tango estar mais vivo, como dança, de podermos sentir o Tango com o corpo todo, e não só ouvindo, isso poderá provocar uma alteração e uma evolução na música. Porque de facto assistimos ao nascimento de novas experiências musicais de grande sucesso, como é o caso dos Gotan Project. E de facto no Fado há pouca evolução na música. Parece-me a mim que houve em determinada altura uma explosão dos limites do Tango, provocada por Astor Piazzolla, e que isso poderá ter dado liberdade às pessoas que vieram a seguir. É necessário uma espécie de Astor Piazzola no Fado?

Graciana – Se calhar sim, se calhar é isso. Porque eu acho que se não tivesse existido o Astor Piazzolla o Tango Electrónico hoje não existiria. Astor Piazzolla é uma quebra muito grande. Por isso foi criticado por muita gente. Mas se não fosse ele não sei se estas mudanças teriam ocorrido.

Juan – Sim, foi uma bendição que Astor Piazzolla existisse. Hoje em dia, musicalmente, as propostas de Piazzolla ainda não se podem igualar ouu superar. Ele abarcou todos os limites. Eu gosto imenso do Tango Electrónico, mas musicalmente é muito pobre. Não se pode comparar com a música de Piazzolla. Piazzolla é o mais louco de todos, de cá até à China.

Graciana – Mas pode ser o que tu dizes também. Que o Tango ao ter dança faça com que a música também tenha que evoluir. Como expressão popular, numa época as pessoas expressavam-se de uma maneira. No ano 2000 todos nós nos expressamos de outra maneira. O Tango expressa-se através da música electrónica também porque estamos em 2000. Eu creio que a evolução da dança também ajudou os músicos a dizer - se a dança evolui, a música também tem que evoluir. O Fado ao não ter a outra parte que lhes diga: - hei, temos que evoluir, acordem - também lhes custa um pouco mais.

J.F. – Tenho medo que o Fado seja transformado num show de variedades, debaixo de uma redoma de vidro. Uma espécie de memória estéril. Vejo que o Fado nalgumas situações é pouco acessível às pessoas.

Juan – Sim, ou que só está no roteiro turístico de Alfama. Em Buenos Aires também se passa o mesmo com o Tango. Há toda uma vertente do Tango que está dedicada a isso, a conservar o Tango como algo fechado. Há um estereótipo de Tango que em Buenos Aires se usa muito a nível comercial, mas que não tem nada que ver com a realidade que vivemos hoje. Um estereotipo dos anos 40, quando foi a década de ouro do Tango. Creio que com o Fado se está a fazer isso, querendo conservar essa estética, e quando tu pões entraves a uma evolução natural de algo, fica aí, fica morto.

J.F. –Eu, como outros portugueses, vou à procura de danças de raiz caribenha, de raiz espanhola, de raiz africana, daqui, dali. Mas há momentos em que sinto que deveria haver qualquer coisa que fosse mesmo minha. Eu gosto muito de dançar Fado, e sinto-me muito confortável. Até que ponto é que é importante vocês terem uma dança, uma expressão, que não seja somente uma expressão interessante, mas que seja também vossa, que tenha nascido dos vossos pais? Como é que vocês sentem isso para além da perspectiva de bailarinos?

Juan – Creio que a mim me salvou a vida. Eu era advogado. Estava seguindo pela vida um caminho totalmente diferente. Inclusive eu tocava muito guitarra, e gostava muito de Jimmy Hendrix, gostava muito de rock. Até que um dia escutei um Tango de Pugliese, que se chama La Yumba, e disse - uau, este é o melhor rock que escutei na minha vida. Isto o que é?. E nem sabia, era um Tango. Comecei então a fazer uma viagem para dentro, quer dizer, uma viagem para dentro da História da Argentina e para dentro de mim. Comecei a descobrir coisas. Depois foi um acaso a dança, começar a bailar. Mas é alucinante poderes encontrar-te com as raízes do teu país, e poderes encontrar-te contigo próprio.

Graciana – Para mim também é muito importante isto de ter algo com que indentificar-se. Porque vivemos em sociedades em que todos temos que ser iguais, todos temos que ver o mesmo programa de televisão, todos temos que ter o mesmo computador. E de repente ter algo que te identifique, e algo aonde te possas remeter, e sempre voltar, e sempre cair, e sempre regressar, e sempre retomar. Para mim foi importante também como uma questão pessoal. Porque vou voltar à Argentina? Vivo fora, estou a viver bem fora, porque vou voltar à Argentina? Por isto, porque somos argentinos, e porque temos isto que nos atravessa. E ter descoberto isto, que temos todos os argentinos, como os portugueses têm as suas coisas, como os alemães dever ter as suas coisas, creio que é óptimo. E saber que isso sempre nos vai remeter ao lugar de onde somos.

Juan – Mas o Tango hoje em dia passou a barreira da Argentina, e é mais uma linguagem de comunicação. Por isso é que atrai tanto as pessoas. Hoje em dia não há comunicação. Cada um está na sua, com o seu trabalho, com o seu computador, com as suas coisas. O Tango permite um vínculo com outras pessoas. Então houve uma altura em que o Tango começou a ir mais adiante que outras danças, começou a diferenciar-se de outras danças, não é porque tenha mais técnica, ou mais isto ou aquilo. É porque permite uma linguagem de comunicação com a pessoa com quem tu estás a dançar que vai mais além de seres argentino, português, italiano, chinês. Há um código de baile, de respeito, de ida e volta. Por isso chama tanto à atenção. Actualmente cada um vive muito encerrado no seu mundo.

Graciana – E o grau de intimidade também, ter um grau de intimidade e de toque e de contacto corporal, que estava fora das sociedades, e que creio que as pessoas necessitam. É então a possibilidade de ser protagonista, e não de estar a ver o que sucede sem estar do lado de dentro; não ver a televisão, mas sim ser parte da televisão.

J.F. – Vocês sentem que há alguma diferença especial na maneira como Portugal se relaciona com pessoas que vêm de fora? Nós costumamos dizer sempre por brincadeira que Portugal é um país que está no fim da Europa, e eu não acho isso necessariamente uma coisa má. Há um lado de desenrasca e de improviso, pelo qual temos um pouco a tendência de nos massacramos e de nos comparamos sempre com a Noruega, Suécia, Alemanha. Mas de facto somos feitos de um encontro de culturas muito mais alargado.

Juan – Para mim isso é o que de realmente bom tem Portugal. O problema é que muitos portugueses se queixam disso. Dizem que são o último país da Europa. E esse é talvez o mistério que tem Lisboa. Esta cidade é tão formosa, mágica, tem todas estas coisas que a mantém como que isolada desta loucura da Europa.

J.F. – Nós nunca acreditamos que Lisboa é assim tão especial.

Juan – Não, Lisboa é a cidade mais formosa do planeta, depois de Rosário (risos).

J.F. – De repente há pessoas que vêm de fora como vocês, e nos chamam à atenção. Foi a primeira coisa que vos aconteceu e começaram logo a criar coisas a partir daí. Não poderemos respeitar mais a nossa capacidade de nos ligarmos com outras culturas, e criar a partir daqui? E em que moldes? Acham que faria sentido neste momento criar bailes de Fado, ter professores que criassem uma estrutura de aula que se fosse adaptando ao Fado?

Juan – Quando estivemos em Munique tivemos a primeira experiência de ligar as aulas ao Fado. E foi incrível. Pusemos a música e dissemos às pessoas que dançassem. Toda a gente se abraçou e logo começaram a dançar, e todos os corpos ficaram mais brandos. Devemos deixar dar a oportunidade às pessoas que fluam, que possam tirar o bailarino que temos dentro, que todos temos dentro.

J.F. – Eu acho que de facto há algumas expressões nas danças sociais que têm menos preconceitos do que outras. Acham que isso pode acontecer com o Tango, com o Fado? Se o Fado tem esses preconceitos ligados? São preconceitos próprios do Fado, ou tem mais a ver com o local, com a situação e com as condições?

Juan –Na Argentina também se passa isto. Muitas pessoas não gostam de Tango, porque não é algo... é como uma pessoa não gostar de si próprio. A não aceitação das tuas próprias coisas. Cá, aos portugueses, passa-se com o Fado, na Argentina passa-se com o Tango.

Graciana – O que acontece é que com a Argentina passou-se algo muito importante, que foi o Tango pôr-se na moda. Fundamentalmente numa época de crise, como esteve a Argentina até a algum tempo, o Tango foi uma fonte de trabalho muito importante. Então houve uma grande parte das pessoas que voltou a pegar nele. Mas também há imensas pessoas, como cá, com as quais nos relacionamos, que nos dizem - eu não gosto de Tango, não me fales de Tango. Ou há gente portuguesa que nos contrata para bailar e que nos pede especificamente que não bailemos Fado, em Lisboa.

Juan – Não queriam ter nada a ver com o Fado. E para nós bailar Fado é um prazer.

Graciana – Claro. E na Argentina também se passa o mesmo, há muita aceitação sobre outras culturas e não sobre a própria. Por isso é que para o Fado o melhor seria que os músicos também tentassem uma evolução, desde a dança, desde a música. Ajudaria a que o povo português voltasse de novo a aceitar o Fado. E que se sintam mais identificados, porque talvez não o aceitem e não gostam por que já não se sentem identificados. Porque é algo do passado. Há muita juventude que volta a sentir-se identificada com o Tango, através do Tango Electrónico, ou através do Piazzolla, ou através de bailarinos que têm movimentos diferentes. E já não é aquela coisa de que o homem bate na mulher e, bem… e a rosa entre os dentes (risos).
Entrevista a Juan Capriotti e Graciana Romeo - O Fado do Tango (editada)

J.F. – Em primeiro lugar porque é que vieram dar aulas de Tango para Portugal?

Juan – Porquê Portugal? Foi há três anos que saímos em viagem pela primeira vez da Argentina para a Europa. Vínhamos trabalhar em festivais de Tango em Espanha. E logo antes de sairmos de Rosário, por um acaso, encontrámos uma pessoa que era professor na Escola Argentina de Tango em Portugal, e que nos ofereceu uma substituição. Disse-me – queres vir a Lisboa? – e eu disse – Lisboa, onde fica Lisboa? (risos). Bom, e graças a isso aterrámos em Lisboa. No primeiro dia em que fizemos um “show” encontrámos logo uma outra rapariga argentina. Ela cantou um Fado e pôs-nos logo a dançar. Assim, a chegada a Lisboa foi muito forte.

J.F. – Ficaram logo ligados ao Fado.

Juan – Imediatamente chegámos, entrámos em contacto com esta rapariga e dançámos um Fado sem saber bem o que era o Fado.

J.F. – Já tinham alguma ideia, depois de terem feito essa decisão, do que era Portugal? De como as pessoas reagiam à dança, à dança a par e ao Tango?

Juan – Viemos sem saber nada, viemos a Lisboa por casualidade.

J.F. – E acham que os vossos alunos cá, e os portugueses, têm alguma especificidade na dança? Porque é fácil saber, por exemplo, que um Cabo-Verdiano tem uma maneira de dançar especial.

Juan – Claro. Sim, sim.

J.F. - Acham que os portugueses têm alguma diferença, ou que estão metidos na confusão de uma Europa com pouca alma?

Graciana –Eu acho que os portugueses, justamente por esta coisa que têm própria do Fado, têm uma sensibilidade especial com o Tango. Porque o Tango e o Fado nascem da mesma maneira, da mesma génese. Então ao ter isto em comum eu creio que os argentinos e os portugueses já temos algo que nos liga. Por outro lado os portugueses são um povo muito fechado, muito para dentro. Isso faz com que te custe relacionares-te com uma pessoa portuguesa, mas também faz com que a pessoa portuguesa seja uma pessoa muito mais sentida, com sentimentos mais profundos, mais enraizados. E o Tango tem que ver com tudo isso. Os portugueses só necessitam de uma espécie de empurrão. Precisam que os vamos buscar a casa, para bailar (risos).

J.F. – Como imaginam que se dançaria o Fado antes? Porque o Fado dançava-se normalmente. Era uma dança de bordel, uma dança canalha. Mas consta que se deixou de dançar em meados do século XIX.

Juan – Claro. Bom, o Tango nasceu assim também. Exactamente, nos bordéis. Por isso só dançava o homem, porque ia ao bordel para dançar com as prostitutas. Quem aprendia os passos e as coisas para dançar era o homem. Só muito mais tarde é que a mulher entra, quando o Tango vem para a Europa e é aclamado em Paris, e volta à Argentina. Por isso também as condições do Tango e do Fado são quase todas iguais. Inclusivamente Lisboa, Buenos Aires, são cidades portuárias, com gente do povo que criou uma maneira de expressar-se.

J.F. – Como é que vocês imaginam que se dançaria o Fado. O que é que seria o Fado natural? Não adaptado do Tango.

Graciana – A mim na verdade custa-me imaginar o Fado com outra dança que não seja a dança do Tango. Por isto de que estávamos a falar, imagina que o Tango se cria a partir da mistura de imigrantes. Os imigrantes chegam em barcos, chegam ao porto. Encontram-se numa cidade portuária. No Fado acontece exactamente o mesmo. Se há uma dança de Fado, nasce num bordel. É provavelmente uma coisa enroscada e para dentro, de abraços fechados, que também tem a ver com isto, com a génese. A verdade é que eu as imagino parecidas.

Juan – Quando nós dançamos Fado, na realidade é como se nos esquecêssemos. Em nenhum momento estamos a pensar na técnica do Tango.

J.F. – Mas conseguem, depois de dançar, perceber que dançaram de uma maneira diferente?

Juan – Totalmente. Agora, depois de algum tempo, temos uma maneira de dançar Fado. Estivemos à pouco tempo em Munique e fizeram-nos dar aulas de Tango em tempo de Fado. As pessoas pedem-nos que dancemos Fado. Estou a falar da Alemanha. E a partir disso começámos a estudar o que é que fazíamos naturalmente quando dançávamos Fado. E pensámos justamente num movimento mais redondo. No Tango é mais “stacatto”, mais linha. E aqui procuramos sempre uma espécie de ondas, e movimentos mais lentos, demoramo-nos mais nos movimentos, dançamos um bocadinho mais largo.

Graciana – Sim, deixares-te levar mais pela melodia. No Tango uma pessoa vai misturando entre a melodia e o ritmo. E no Fado estamos sempre sobre a melodia. É uma coisa mais melódica, mais ondulante. Na realidade o que primeiro nos chamou à atenção no Fado foi a letra, porque o primeiro Fado que dançámos foi “a capella”. Porque a tal rapariga que o estava a cantar quando chegámos cantava-o “a capella”. E quando decidimos bailá-lo foi no camarim, quando ela o estava a ensaiar, e era Estranha forma de vida, de Amália. Quando ela começou com esta parte - «para, deixa de bater, coração independente» - ficámos assim maravilhados com a letra. As letras têm esta poesia básica mas super profunda, que é igual ao Tango. Esta poesia simples, popular, que é o mesmo que se passa com o Tango. E só depois começámos a prestar mais atenção à música.

J.F. – O que é que acham que poderia ser feito para revitalizar esta dança? Porque acho que toda a boa música tem dança. O que é que vocês como agentes do Tango podem fazer, para além de lembrar apenas que as duas culturas são parecidas?

Juan – O povo português, quando fala de Fado, não tem na cabeça a dança. Fecham a porta à dança. Por isso é que veio gente de fora, e neste caso alguns “maestros” de Tango, e começaram a ver que a formosura da música e a harmonia que o Fado tem está plenamente aberta para a dança. O problema é que nunca nos espectáculos os cantores de Fado, as figuras mais importante do Fado se envolvem com a dança.

Graciana –Trabalhar com músicos de Tango também não simples, porque os músicos querem sempre ser os protagonistas. A dança, por ela própria, já tem uma estética muito forte, e chama muito à atenção.

J.F. – Mas imagina que provavelmente estas novas experiências de Tango, como o Tango Electrónico, tenham mais visibilidade também por causa da visibilidade da dança.

Graciana – Sim, sim. Eu creio que o Tango está super vigente justamente por causa da dança, porque a dança é uma coisa que atrai muitíssimo mais que a música por si só. ou que o cantor por si só. O género Fado tem que aceitar que se pode começar a dançar.

J.F. – E vocês nunca tiveram vontade de dar alguns passos um bocadinho mais para dentro do território do Fado? E provocar as pessoas um bocadinho mais para além da mera curiosidade?

Graciana – Sim, nós uma vez tivemos um encontro com o Camané. Demos-lhe um “CD” para que ele visse como dançávamos. Vamos ver se nalgum momento podemos organizar alguma coisa com ele, porque ele é uma figura relevante no Fado.

Juan – É uma pessoa que nós respeitamos muitíssimo também.

J.F. – Talvez pelo facto de o Tango estar mais vivo, como dança, de podermos sentir o Tango com o corpo todo, e não só ouvindo, isso poderá provocar uma alteração e uma evolução na música. Porque de facto assistimos ao nascimento de novas experiências musicais de grande sucesso, como é o caso dos Gotan Project. E de facto no Fado há pouca evolução na música. Parece-me a mim que houve em determinada altura uma explosão dos limites do Tango, provocada por Astor Piazzolla, e que isso poderá ter dado liberdade às pessoas que vieram a seguir. É necessário uma espécie de Astor Piazzola no Fado?

Graciana – Se calhar sim, se calhar é isso. Porque eu acho que se não tivesse existido o Astor Piazzolla o Tango Electrónico hoje não existiria. Astor Piazzolla é uma quebra muito grande. Por isso foi criticado por muita gente. Mas se não fosse ele não sei se estas mudanças teriam ocorrido.

Juan – Sim, foi uma bendição que Astor Piazzolla existisse. Hoje em dia, musicalmente, as propostas de Piazzolla ainda não se podem igualar ouu superar. Ele abarcou todos os limites. Eu gosto imenso do Tango Electrónico, mas musicalmente é muito pobre. Não se pode comparar com a música de Piazzolla. Piazzolla é o mais louco de todos, de cá até à China.

Graciana – Mas pode ser o que tu dizes também. Que o Tango ao ter dança faça com que a música também tenha que evoluir. Como expressão popular, numa época as pessoas expressavam-se de uma maneira. No ano 2000 todos nós nos expressamos de outra maneira. O Tango expressa-se através da música electrónica também porque estamos em 2000. Eu creio que a evolução da dança também ajudou os músicos a dizer - se a dança evolui, a música também tem que evoluir. O Fado ao não ter a outra parte que lhes diga: - hei, temos que evoluir, acordem - também lhes custa um pouco mais.

J.F. – Tenho medo que o Fado seja transformado num show de variedades, debaixo de uma redoma de vidro. Uma espécie de memória estéril. Vejo que o Fado nalgumas situações é pouco acessível às pessoas.

Juan – Sim, ou que só está no roteiro turístico de Alfama. Em Buenos Aires também se passa o mesmo com o Tango. Há toda uma vertente do Tango que está dedicada a isso, a conservar o Tango como algo fechado. Há um estereótipo de Tango que em Buenos Aires se usa muito a nível comercial, mas que não tem nada que ver com a realidade que vivemos hoje. Um estereotipo dos anos 40, quando foi a década de ouro do Tango. Creio que com o Fado se está a fazer isso, querendo conservar essa estética, e quando tu pões entraves a uma evolução natural de algo, fica aí, fica morto.

J.F. –Eu, como outros portugueses, vou à procura de danças de raiz caribenha, de raiz espanhola, de raiz africana, daqui, dali. Mas há momentos em que sinto que deveria haver qualquer coisa que fosse mesmo minha. Eu gosto muito de dançar Fado, e sinto-me muito confortável. Até que ponto é que é importante vocês terem uma dança, uma expressão, que não seja somente uma expressão interessante, mas que seja também vossa, que tenha nascido dos vossos pais? Como é que vocês sentem isso para além da perspectiva de bailarinos?

Juan – Creio que a mim me salvou a vida. Eu era advogado. Estava seguindo pela vida um caminho totalmente diferente. Inclusive eu tocava muito guitarra, e gostava muito de Jimmy Hendrix, gostava muito de rock. Até que um dia escutei um Tango de Pugliese, que se chama La Yumba, e disse - uau, este é o melhor rock que escutei na minha vida. Isto o que é?. E nem sabia, era um Tango. Comecei então a fazer uma viagem para dentro, quer dizer, uma viagem para dentro da História da Argentina e para dentro de mim. Comecei a descobrir coisas. Depois foi um acaso a dança, começar a bailar. Mas é alucinante poderes encontrar-te com as raízes do teu país, e poderes encontrar-te contigo próprio.

Graciana – Para mim também é muito importante isto de ter algo com que indentificar-se. Porque vivemos em sociedades em que todos temos que ser iguais, todos temos que ver o mesmo programa de televisão, todos temos que ter o mesmo computador. E de repente ter algo que te identifique, e algo aonde te possas remeter, e sempre voltar, e sempre cair, e sempre regressar, e sempre retomar. Para mim foi importante também como uma questão pessoal. Porque vou voltar à Argentina? Vivo fora, estou a viver bem fora, porque vou voltar à Argentina? Por isto, porque somos argentinos, e porque temos isto que nos atravessa. E ter descoberto isto, que temos todos os argentinos, como os portugueses têm as suas coisas, como os alemães dever ter as suas coisas, creio que é óptimo. E saber que isso sempre nos vai remeter ao lugar de onde somos.

Juan – Mas o Tango hoje em dia passou a barreira da Argentina, e é mais uma linguagem de comunicação. Por isso é que atrai tanto as pessoas. Hoje em dia não há comunicação. Cada um está na sua, com o seu trabalho, com o seu computador, com as suas coisas. O Tango permite um vínculo com outras pessoas. Então houve uma altura em que o Tango começou a ir mais adiante que outras danças, começou a diferenciar-se de outras danças, não é porque tenha mais técnica, ou mais isto ou aquilo. É porque permite uma linguagem de comunicação com a pessoa com quem tu estás a dançar que vai mais além de seres argentino, português, italiano, chinês. Há um código de baile, de respeito, de ida e volta. Por isso chama tanto à atenção. Actualmente cada um vive muito encerrado no seu mundo.

Graciana – E o grau de intimidade também, ter um grau de intimidade e de toque e de contacto corporal, que estava fora das sociedades, e que creio que as pessoas necessitam. É então a possibilidade de ser protagonista, e não de estar a ver o que sucede sem estar do lado de dentro; não ver a televisão, mas sim ser parte da televisão.

J.F. – Vocês sentem que há alguma diferença especial na maneira como Portugal se relaciona com pessoas que vêm de fora? Nós costumamos dizer sempre por brincadeira que Portugal é um país que está no fim da Europa, e eu não acho isso necessariamente uma coisa má. Há um lado de desenrasca e de improviso, pelo qual temos um pouco a tendência de nos massacramos e de nos comparamos sempre com a Noruega, Suécia, Alemanha. Mas de facto somos feitos de um encontro de culturas muito mais alargado.

Juan – Para mim isso é o que de realmente bom tem Portugal. O problema é que muitos portugueses se queixam disso. Dizem que são o último país da Europa. E esse é talvez o mistério que tem Lisboa. Esta cidade é tão formosa, mágica, tem todas estas coisas que a mantém como que isolada desta loucura da Europa.

J.F. – Nós nunca acreditamos que Lisboa é assim tão especial.

Juan – Não, Lisboa é a cidade mais formosa do planeta, depois de Rosário (risos).

J.F. – De repente há pessoas que vêm de fora como vocês, e nos chamam à atenção. Foi a primeira coisa que vos aconteceu e começaram logo a criar coisas a partir daí. Não poderemos respeitar mais a nossa capacidade de nos ligarmos com outras culturas, e criar a partir daqui? E em que moldes? Acham que faria sentido neste momento criar bailes de Fado, ter professores que criassem uma estrutura de aula que se fosse adaptando ao Fado?

Juan – Quando estivemos em Munique tivemos a primeira experiência de ligar as aulas ao Fado. E foi incrível. Pusemos a música e dissemos às pessoas que dançassem. Toda a gente se abraçou e logo começaram a dançar, e todos os corpos ficaram mais brandos. Devemos deixar dar a oportunidade às pessoas que fluam, que possam tirar o bailarino que temos dentro, que todos temos dentro.

J.F. – Eu acho que de facto há algumas expressões nas danças sociais que têm menos preconceitos do que outras. Acham que isso pode acontecer com o Tango, com o Fado? Se o Fado tem esses preconceitos ligados? São preconceitos próprios do Fado, ou tem mais a ver com o local, com a situação e com as condições?

Juan –Na Argentina também se passa isto. Muitas pessoas não gostam de Tango, porque não é algo... é como uma pessoa não gostar de si próprio. A não aceitação das tuas próprias coisas. Cá, aos portugueses, passa-se com o Fado, na Argentina passa-se com o Tango.

Graciana – O que acontece é que com a Argentina passou-se algo muito importante, que foi o Tango pôr-se na moda. Fundamentalmente numa época de crise, como esteve a Argentina até a algum tempo, o Tango foi uma fonte de trabalho muito importante. Então houve uma grande parte das pessoas que voltou a pegar nele. Mas também há imensas pessoas, como cá, com as quais nos relacionamos, que nos dizem - eu não gosto de Tango, não me fales de Tango. Ou há gente portuguesa que nos contrata para bailar e que nos pede especificamente que não bailemos Fado, em Lisboa.

Juan – Não queriam ter nada a ver com o Fado. E para nós bailar Fado é um prazer.

Graciana – Claro. E na Argentina também se passa o mesmo, há muita aceitação sobre outras culturas e não sobre a própria. Por isso é que para o Fado o melhor seria que os músicos também tentassem uma evolução, desde a dança, desde a música. Ajudaria a que o povo português voltasse de novo a aceitar o Fado. E que se sintam mais identificados, porque talvez não o aceitem e não gostam por que já não se sentem identificados. Porque é algo do passado. Há muita juventude que volta a sentir-se identificada com o Tango, através do Tango Electrónico, ou através do Piazzolla, ou através de bailarinos que têm movimentos diferentes. E já não é aquela coisa de que o homem bate na mulher e, bem… e a rosa entre os dentes (risos).


BIOGRAFIA


“Graciana y Juan Manuel retoño del tango fino de Piazzolla a Gardel”
Horacio Ferrer



Graciana Romeo
Cientista de la Educación y Docente.
Bailarina de formación Clásica egresada de la Escuela Nacional de Danzas –Rosario-. Integra la Escuela de Perfeccionamiento del Teatro Colón -Buenos Aires-. Es becada para continuar sus estudios de Ballet en el Santa Mónica College de California (EEUU).
Convocada por la maestra Victoria Colosio, a la ciudad de Barcelona, para trabajar con el método Propedeútica de la Danza ingresando en el Tango-Danza.
Juan Capriotti
Egresado de la Universidad de Derecho.
Bailarín de formación contemporánea especializado en Contact Improvisation, Sensopercepción y Movimiento Auténtico.
Formación Musical Conservatorio Municipal “Grande Castelli” -Rosario.
Convocado por la bailarina Fabiana Capriotti y la embajada Argentina para dictar seminarios de Tango en Bangkok-Tahilandia-.


De la ciudad de Rosario. Argentina.
Rosario es uno de los tres vértices que cierra el triángulo portuario de la Región del Río de la Plata donde nació el tango. Los otros dos son Buenos Aires y Montevideo. Fue conocida hacia 1930 como “La Chicago Argentina”, por su vida nocturna y prostibularia. Su Puerto… “El Granero del Mundo”, albergó a miles de bohemios inmigrantes. Hoy la tradición continua y es una ciudad que desborda en Tango. (www.tangoculto.com)
Año 2000...se forman bajo el cuidado de los últimos milongueros rosarinos “El Flaco” Orlando Paiva, “El Cantor” Eduardo Vila, Angelito “El Señor de los Caballos” , Rodolfo “El Duende” Ruiz Díaz, El “Gato” Juan Carlos Antón…Otros tiempos, otros hombres dice el Tango…ahora nos tocaba a nosotros salir a la pista…
"Graciana es un nombre evocativo del arrabal, parece de algún bautismo hecho entre el campo y los primeros fondos de galpones, frigoríficos o mataderos, y ya sabemos que los nombres tienen que ver con los destinos. Graciana podría haber sido "La Intrusa" de Borges, en lugar de Juliana Burgos. Le sobra gracia para hacer pelear a Caín y Abel, e incluso, a San Pedro y San Pablo.Juan, el bailarín, tiene el corte varonil de una estampa de Sigfrido Pastor o Carlos Alonso, y más aca, de nuestro querido Raúl Gómez. Juan, de blanco, parece un ángel de hierro, aunque ni bien arranca, uno le empieza a buscar los patines. ¡Que percha flaco...! Se quiebra en tantas partes como ella lo pida, para entrarse, levantarse o seguirla."
Diario Rosario/12 - 20 abril de 2002 - Por Marcelo Scalona



…Creemos en cuerpos conscientes y dispuestos a la Danza…Trabajando la comunicación fluída entre los cuerpos en movimiento y su conexión con la música permanecemos abiertos y conectados a todas las posibilidades que “La Danza del Abrazo” tiene para ofrecernos. Profundizamos el estudio de los elementos propios del tango-danza y su entendimiento como herramientas disponibles para la Improvisación…


EVENTOS

En Rosario:
· Crean y dirigen el Espacio Cultural “Milonga el Corte” (2000-2004))
· V Cumbre Mundial del Tango (2000)
· Crean y Dirigen el espectáculo “Mal de Amores” (2002)
· Perfomances en las milongas “percal”, “el levante”, “Las chirusas”, “Mi Refugio” (2005)
En Buenos Aires:
· V Festival Buenos Aires Tango (2003)
· Teatro Metropolitan. Primer Mundial de tango (2003)
· Teatro de la ribera en el barrio de “La Boca” (2003)
· Asisten al maestro Fabian salas en el “ 5º Congreso Internacional de tango Argentino” (CITA 2003)
En Europa:
· 1º Festival Internacional de Tango de Sagunto (2004)
· 16º Festival Internacional de Tango de Granada (2004)
· 1º Festival Internacional de Tango de Almería (2004)
· 3º Festival Internacional de Tango de Lisboa (FTL 2004)
· 1º Festival Internacional de Tango de Pamplona (2004)
· Perfomances en las milongas “The Crypt”, “Welsh Center”, “La Milonga de la Luna” (Londres 2004-2005)
· 1º festival de Tango Bylaugh (Inglaterra-2004) orquesta“Tango Volcano”

· 6º cumbre mundial de tango de sevilla (2005)
· 4º Festival Internacional de Tango de Lisboa (FTL 2005)
· Tango nacht “Milonga Ideal” (Munich-2005-2006)
· 4º Festival internacional de Tango de Barcelona “Tango para Vos” (2005)
· 5º Festival internacional de Tango de Lisboa (FTL 2006) Orquesta “Color Tango”
En Lisboa:
· Dirigen la Escuela Argentina de Tango (2004)
· Bailarines orquesta “Lusotango” (2004)
· “A Puro Tango” orquesta “Los Reyes del Tango” Coliseu dos recreios
· “encontro, O Fado e o Tango” en el CCB Grande auditório con la cantante Dulce Pontes y el poeta Horacio Ferrer (2005)
· 4 º Congreso Mundial de Salsa (2005)
· “A Puro Tango” orquesta típica “Sans Souci” (2005) coliseu dos recreios
· Crean y dirigen el espectáculo “alma de tango” (2005) Auditório Municipal António Silva
· Noches de Tango en el “Armazen 7”
· Bailarines conciertos de “Narcotango” (2005)
· Bailarines solistas musical “Latin Fever” (2005-casa do Artista) y musical “Extravaganza”(2006-CCB) Companhía Espasso Latino